Práticos de Navios observando a embarcação

Praticagem é Máfia? Entenda a origem do mito

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A atividade dos Práticos de Portos, fundamental para a economia e a preservação do meio ambiente do país, ainda é pouco conhecida por parte da população. E é comum que, em conversas informais, surjam conceitos equivocados ou até maldosos. O mais frequente deles é o de que “praticagem é máfia”, ou que “o trabalho passa de pai para filho”, comentários geralmente disparados por quem não tem informação ou, em casos mais preocupantes, oculta interesses escusos que conflitam com a independência os Práticos.

A origem do discurso de que praticagem é máfia

A desinformação, por muitos anos, contribuiu para a construção de uma imagem não apenas nociva aos Práticos e às Praticagens, mas também benéfica para grandes grupos econômicos que tentam, desacreditando os profissionais brasileiros, exercer maior controle e auferir lucros abusivos com as atividades portuárias. Essa é, muito provavelmente, a origem não apenas da acusação de que praticagem é máfia, mas também de outros mitos e teses absurdas sobre como é a rotina da praticagem nos portos brasileiros e o ingresso na carreira.

Prático de Navios orientando manobraOs Práticos são, em resumo, profissionais altamente preparados que são treinados e estão habilitados a conduzir as embarcações nas manobras de atracação e desatracação e nas navegações realizadas nas zonas portuárias e hidrovias interiores. No Brasil, os Práticos são selecionados a partir de um processo seletivo público, realizado periodicamente pela Marinha. Não há limite de idade, e qualquer pessoa com curso superior está apta a, caso aprovada, exercer a profissão. O processo seletivo consiste, basicamente, de uma prova escrita e uma prova prático-oral. As últimas seleções ocorreram em 2008 (117 vagas), 2011 (81 vagas) e 2012/13 (206 vagas).

Atualmente, profissionais tão diversos como administradores, dentistas, advogados, engenheiros e profissionais liberais atuam na praticagem – o que desmonta, além da tese de que “praticagem é máfia”, a ideia de que apenas profissionais egressos de atividades marítimas podem atuar como Práticos.

Em 2010, o Curso H foi fundado pelo Prático Hercules Lima, primeiro colocado na prova escrita do processo seletivo de 2008. Com 18 anos de carreira militar, Hercules decidiu estruturar e compartilhar uma metodologia para democratizar o acesso à carreira, facilitando o aprendizado do conteúdo por profissionais de qualquer área. O resultado veio nos anos seguintes, com 94,2% da aprovação nacional em 2011 e 80,3% em 2012/13.

Interesses econômicos

A tese de que a praticagem é máfia não é, como se pensa, apenas ingenuidade ou fruto de desconhecimento. Nos países onde a atividade é regulada de forma semelhante ao que ocorre no Brasil – entre eles, por exemplo, Estados Unidos, França, Itália e Holanda, a independência dos Práticos com relação aos grandes grupos econômicos representados pelos armadores visa a proteger o meio ambiente e o bem-estar da população e a blindar a atividade econômica local de abusos.

Quando a praticagem não é exercida de forma independente, corre-se o risco real de redução nas margens de segurança adotadas na navegação e na operação dos portos, atividades de alta relevância para o país.

Navio cargueiro afundando

Um exemplo recente de vitória do lobby dos armadores ocorreu na Argentina. Em 1997, com o pretexto de adotar um sistema de livre concorrência visando a redução de custos para os usuários do sistema, o país vizinho substituiu um modelo semelhante ao brasileiro para adotar outro que terminou por entregar a atividade de praticagem a empresas privadas ligadas, invariavelmente, aos grandes grupos de transporte de cargas – com óbvios interesses de operar os portos de forma mais lucrativa, não necessariamente mais segura. Depois de 18 acidentes marítimos de grandes proporções e danos irreparáveis à sociedade, o governo decidiu voltar ao modelo antigo.

A diferença central nos dois modelos está na independência do profissional com relação aos tomadores dos seus serviços. No Brasil, não é possível, por exemplo, que um armador ou outros steak holders de peso venham a forçar um Prático a aceitar determinado procedimento considerado por ele inseguro. Sendo subordinado apenas à Autoridade Marítima Brasileira e aos interesses da sociedade, cada profissional tem isenção, responsabilidades e autonomia para agir e decidir.

Felizmente, no Brasil, a praticagem é independente; e processos seletivos públicos estabelecem caminhos democráticos para acesso à carreira.

Exemplos de sucesso

O Curso H já ajudou mais de 200 pessoas de diferentes áreas a se tornarem Práticos de Navios, tendo o maior índice de aprovação nacional. Abaixo, você pode conferir algumas dessas histórias:

Entrevista com Prático – Caio Frare

Entrevista com Prático – Guido Botto

Conversa com Práticos das Zonas de Praticagem 17 e 22

Download do E-book Tudo Sobre Praticagem

14 respostas

  1. Não entendi muito bem, tem que ter nível superior e Habilitação de Mestre Armador? Arrais Armador não serve? E quanto aos vários exames solicitados, por ex. coluna, se tiver uma um pequeno desgaste, protusão o que for já tá eliminado?

    1. Olá, Daniel! Para participar do concurso para Prático e Navios é preciso sim ter ensino superior completo em qualquer área de formação e, se a pessoa não tem experiência como profissional da área marítima, também é preciso ter certificação de MESTRE AMADOR ou superior. Arrais Amador não vale para este concurso. Os detalhes exatos sobre os requisitos do concurso você encontra na NORMAM 12, que pode ser vista nesse link: https://www.marinha.mil.br/dpc/sites/www.marinha.mil.br.dpc/files/processo-selecao/normam12.pdf

  2. Boa tarde, gostaria de saber maiores detalhes do Curso para Prático.
    Exigências, valores e tempo de duração???
    Aguardo retorno,
    Att.
    Elessandro Souza

      1. Olá, Gostaria de saber o valor do Curso OnLine e tbm de maiores informações do mercado da Praticagem no Porto de Ilhéus/Ba, onde resido, ou para Salvador/Ba. Outra informação, tenho 58 anos de Idade, Curso Superior e gostaria de saber se tem limite de Idade para atuar como Prático?

        1. Olá, Moacyr! Nossa equipe entrará em contato para falar sobre as demais questões, mas posso te adiantar que o concurso não tem idade máxima, apenas uma idade mínima de 18 anos. Apesar de não ter idade máxima, uma das etapas do Processo Seletivo envolve um teste físico. Você confere os demais requisitos na NORMAM 12.

    1. Olá, Thiago! Temos descontos sim, mas para alunos ativos da EFOMM. Se você ainda estiver cursando, está valendo! Sobre os valores do curso, vou encaminhar seu e-mail para um dos nossos consultores.

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14 respostas

  1. Não entendi muito bem, tem que ter nível superior e Habilitação de Mestre Armador? Arrais Armador não serve? E quanto aos vários exames solicitados, por ex. coluna, se tiver uma um pequeno desgaste, protusão o que for já tá eliminado?

    1. Olá, Daniel! Para participar do concurso para Prático e Navios é preciso sim ter ensino superior completo em qualquer área de formação e, se a pessoa não tem experiência como profissional da área marítima, também é preciso ter certificação de MESTRE AMADOR ou superior. Arrais Amador não vale para este concurso. Os detalhes exatos sobre os requisitos do concurso você encontra na NORMAM 12, que pode ser vista nesse link: https://www.marinha.mil.br/dpc/sites/www.marinha.mil.br.dpc/files/processo-selecao/normam12.pdf

  2. Boa tarde, gostaria de saber maiores detalhes do Curso para Prático.
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    Aguardo retorno,
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    Elessandro Souza

      1. Olá, Gostaria de saber o valor do Curso OnLine e tbm de maiores informações do mercado da Praticagem no Porto de Ilhéus/Ba, onde resido, ou para Salvador/Ba. Outra informação, tenho 58 anos de Idade, Curso Superior e gostaria de saber se tem limite de Idade para atuar como Prático?

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    1. Olá, Thiago! Temos descontos sim, mas para alunos ativos da EFOMM. Se você ainda estiver cursando, está valendo! Sobre os valores do curso, vou encaminhar seu e-mail para um dos nossos consultores.

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