Prático de Navios · ZP-14 · Fundador do Curso H
Hercules Lima: Prático de Navios e Fundador do Curso H
Hercules Lima é Prático de Navios da Zona de Praticagem 14 (Espírito Santo) desde 2009 e fundador do Curso H, o maior preparatório para a seleção de Práticos de Navios do Brasil. Ex-piloto de caça da Marinha, foi o 1º colocado no processo seletivo de 2008, entre cerca de 2.000 candidatos.
Quem é Hercules Lima?
Hercules Lima trocou o cockpit pelo passadiço. Foram 18 anos na Marinha do Brasil como Aviador Naval e piloto de aviões de caça antes de estudar dois anos por conta própria, sem cursos e sem internet fácil, e cravar o 1º lugar na prova escrita do Processo Seletivo para Praticantes de Prático (PSCPP) de 2008. Desde 2009, é Prático de Navios na ZP-14, que engloba todos os portos do Espírito Santo. Em 2010, fundou o Curso H, hoje a referência nacional na preparação para o concurso de Prático.
Como Prático, ele mostra ao comandante o caminho seguro nos trechos onde o mar esconde riscos e manobra com maestria por entre os obstáculos. É o que ele faz com o candidato também.
A história
A manobra que começa dois quilômetros antes
O Hercules Lima é do tipo que prefere fazer a aparecer. Passou a vida no bastidor, no trabalho que não pede aplauso, e é ali que se sente inteiro.
Foi por isso que a história dele quase não chegou até aqui. Quando conheci a trajetória, pensei na hora: isto daria um livro. Um piloto de caça que troca o cockpit pelo passadiço e, dois anos depois de sentar para estudar, passa em primeiro lugar num dos concursos mais duros do Brasil, à frente de gente que cresceu embarcada.
Só que convencer o Hercules a deixar contar não foi rápido. Ele evita holofote por princípio, acha que feito não se anuncia, se cumpre. Levou conversa até ele topar ver isto por escrito.
Insisti. História boa demais para ficar guardada. O que vem agora é a dele, do jeito que ela me pegou.
Um navio de quatrocentas mil toneladas começa a curva muito antes de a curva existir. Quando o leme enfim se move, a decisão já foi tomada lá atrás, quando ainda não havia nada para ver. Quem governa esse navio não reage ao que aparece. Responde ao que vai aparecer.
Guarde essa ideia. A decisão tomada com antecedência é a história inteira. E ela já começou.
A questão que faltou
Manaus, 1995. Hercules é aluno da Escola Naval quando a praticagem cruza o caminho dele pela primeira vez, numa prova organizada por região, como se fazia então. Ele tira o primeiro lugar daquela Zona de Praticagem e mesmo assim não passa. Ninguém passa: naquele ano, nenhum candidato bate a nota mínima. Faltou uma questão. Vinte e quatro acertos dos vinte e cinco necessários.
Uma questão manteve um rapaz de vinte e um anos longe de uma carreira que ele só teria treze anos depois.
O céu falou mais alto. No fim dos anos 1990, a Marinha reconstruía sua aviação de caça embarcada: vinte e três jatos vindos do Kuwait, um esquadrão recém-criado, um porta-aviões de volta ao centro da estratégia. Hercules é da geração que assistiu o primeiro Top Gun e levou a sério. Entre o passadiço e o cockpit, escolheu voar.
Voar custou quatro anos de formação nas Marinhas da Argentina e dos Estados Unidos, primeiro lugar no curso argentino em 1999 e, em 2002, o pouso a bordo do porta-aviões USS JF Kennedy, a manobra mais difícil que um aviador naval executa.
A saída no auge
E então, no melhor momento, ele saiu.
Não por cansaço ou por medo. Mas por uma conta fria: a carreira de piloto de caça é curta, e ele já voava menos do que gostaria. Em vez de esperar o tempo decidir, decidiu primeiro. Entrando nos trinta, resgatou o plano que largara aos vinte.
Parece óbvio que a mesma adrenalina presente no cockpit de um jato de combate não poderia ser encontrada no passadiço de um navio. No caça, você corrige em segundos. No navio, você escolhe, com uma calma quase desconfortável, o que vai acontecer dali a dois quilômetros. Mas é aqui que a intuição da maioria tropeça. Embora a velocidade despenque de quinhentos nós para cinco, a inércia sobe tanto que também não sobra margem para erro.
A cadeira
De 2006 a 2008, Hercules não estudou como concurseiro. Estudou como quem planeja uma missão. Alugou um apartamento colado na base aérea só para tirar o trânsito da conta. Picou os dias em blocos rígidos. Cruzou o que ele chama de ponto de não retorno, quando a vida social entra em pausa e resta só o alvo.
A doutrina inteira coube numa frase: o que conta é tempo de cadeira. Não a técnica mais esperta de memorização. A constância.
E teve também um gesto pequeno, quase invisível, que decidiu o resto. Para não afundar indefinidamente numa pilha de livros, ele destilou a matéria em resumos escritos do próprio punho, só o que cairia na prova. Pareciam anotações de uso pessoal. Não eram.
2008, a virada do avesso
Cerca de dois mil candidatos, alguns já formados em navegação, gente que respirava o mar desde cedo. Hercules tira o primeiro lugar na prova escrita, o gargalo mais temido do concurso.
Não foi o caça que o colocou na frente dos especialistas do oceano. Foi a cadeira. Foi o método de um homem que jamais tinha pisado num navio mercante e que, mesmo assim, passou à frente de quem vivia embarcado. A questão que faltou em 1995 ele devolveu em 2008, com juros de treze anos.
E aqueles resumos de uso pessoal viraram, dois anos depois, a espinha dorsal do Curso H.
Aqui está o que me fez insistir na história. O Hercules não é o herói, a exceção que a gente imagina. É o contrário, e isso liberta: a maestria é invisível enquanto se constrói. O que a gente chama de talento quase sempre é um plano de manobra começado quilômetros antes, longe do nosso campo de visão.
Trajetória
- 1992 Formado pelo Colégio Naval.
- 1996 Bacharel pela Escola Naval, com especialização em sistemas.
- 1997 Viagem de circunavegação no Navio-Escola Brasil.
- 1999 a 2002 Formação como Aviador Naval pelas Marinhas dos EUA e da Argentina (1º colocado). Pouso a bordo do porta-aviões USS JF Kennedy.
- 2003 a 2008 Piloto de caça da Aviação Naval brasileira (AF-1 Skyhawk).
- 2008 1º colocado na prova escrita do PSCPP, entre cerca de 2.000 candidatos.
- 2009 Prático de Navios dos portos do Espírito Santo (ZP-14).
- 2010 Funda o Curso H.
Por que o 1º lugar na prova escrita é a credencial que importa?
Porque a prova escrita é a etapa de maior peso da seleção e a única que um curso pode, de fato, ensinar. E o Curso H foi fundado — e até hoje é dirigido — por quem conquistou o 1º lugar nessa prova, entre cerca de 2.000 candidatos.
O PSCPP tem quatro etapas, e elas não pesam igual: a prova de títulos premia posto e tempo de embarque, atributos que o candidato já traz ou não traz. Para mais de 95% dos candidatos, que não têm experiência ou formação na área marítima, é na prova escrita que a preparação decide.
O material didático que nasceu dos resumos
Sem curso para chamar de seu, Hercules estudou por dois anos e condensou tudo em resumos escritos do próprio punho. Poucos anos depois, seus resumos viriam a se tornar a alma do Curso H. Hercules fez do seu material um método aberto a candidatos de qualquer formação, sem experiência marítima nenhuma. Os resumos viraram a base dos 11 volumes que cobriram toda a matéria do PSCPP. É a origem do diferencial do Curso H: não é teoria emprestada, é o método de quem quase gabaritou a prova transformado em didática.
Mas resumos não bastam
Sem boas aulas, não existe um bom curso. Com pouca experiência como professor — até então, havia ministrado apenas aulas de Aerodinàmica para pequenas turmas do Curso de Formação de Aviadores Navais —, assumir a primeira turma do Curso H, com mais de 120 alunos, foi um desafio.
Hercules, porém, surpreendeu ao demonstrar assertividade, poder de síntese e liderança. Em 2011, ministrou aulas de todas as disciplinas do curso. Sua capacidade de traduzir assuntos complexos em uma linguagem simples e acessível a pessoas das mais diversas áreas de formação tornou-se uma das marcas do Curso H. Até hoje, suas aulas estão entre as mais elogiadas pelos alunos.
Perguntas frequentes sobre Hercules Lima
Quem é Hercules Lima?
Prático de Navios da ZP-14 (Espírito Santo) desde 2009 e fundador do Curso H. Ex-piloto de caça da Aviação Naval da Marinha do Brasil, foi o 1º colocado na prova escrita do PSCPP de 2008.
Hercules Lima foi mesmo o 1º colocado no concurso de Prático?
Foi o 1º colocado na prova escrita do PSCPP de 2008, a etapa de maior peso da seleção, entre cerca de 2.000 candidatos.
Em qual Zona de Praticagem Hercules Lima atua?
Na ZP-14, que cobre os portos do Espírito Santo (Vitória, Tubarão, Praia Mole, Ubu e Barra do Riacho), desde 2009.
Hercules Lima foi piloto de caça?
Sim. Antes da praticagem, foram 18 anos na Marinha do Brasil como Aviador Naval e piloto de aviões de caça, com formação no Colégio Naval e na Escola Naval.
Qual a relação de Hercules Lima com o Curso H?
Ele é o fundador (2010) e criador da metodologia que mais aprovou Práticos de Navios no Brasil.
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