Entrevista com o Prático Roberto Ermel: Sobre a importância de não desistir de primeira
Sobre a importância de não desistir de primeira
Buscando manter nossos futuros Práticos e entusiastas da Praticagem informados, damos sequência à terceira edição da nossa série, com uma entrevista com um Prático que se preparou no Curso H para falar sobre os desafios do concurso e a vida como Prático de Navios.
Nosso entrevistado da vez é o Prático Roberto Ermel, da Zona de Praticagem (ZP) 01.
Ouça a entrevista no Youtube
Além da transcrição, você também pode ouvir a conversa em nosso canal do YouTube:
Transcrição da entrevista com o Prático Roberto Ermel
Entrevistador: Bom, a gente vai gravar. Tudo bem? Vamos começar. Primeiro, se puder, fale para a gente o seu nome e de qual ZP você é.
Roberto Ermel: Meu nome é Roberto Ermel. Ermel se escreve E – R – M de Maria – E – L. Apesar de ser alemão, é bem abrasileirado. E eu sou da ZP 01.
Entrevistador: ZP 01 é de onde?
Roberto Ermel: A ZP 01 começa em Macapá, no Amapá, mais precisamente em Fazendinha, e vai até Itacoatiara, que fica no estado do Amazonas.
Entrevistador: Beleza! E, Roberto, como você conheceu a Praticagem? Qual foi o seu primeiro contato com a profissão?
Roberto Ermel: Eu tenho vários amigos Práticos, né? E, em 2008, um grande amigo meu chegou ao Rio, foi lá em casa, e eu perguntei para ele:
– O que você veio fazer aqui?
Aí ele meio que desconversou, e eu falei:
– Pô, bicho, o que você veio fazer aqui, cara?
Aí ele:
– Não, não fala para ninguém, não, mas eu vim fazer a prova da Praticagem.
E foi aí que me despertou o interesse de estudar, né? Então, foi um amigão meu que “startou” tudo, né? Apesar de eu já ter tido contato antes com a Praticagem, nunca me atentei a estudar.
Entrevistador: E como foi essa decisão, do tipo “vou virar Prático”? Houve alguma barreira em relação a isso ou foi uma decisão natural para você?
Roberto Ermel: Cara, quando ele falou isso, já veio direto na minha cabeça: por que não pensei nisso antes, sabe? E aí comecei a pegar livros, algumas coisas, mas, como não havia perspectiva de concurso, né? E assim, eu dava aula de kitesurf, eu não caí dentro em 2008. E aí, quando soube do concurso em 2011, falei: opa! É agora! Vou estudar. Mas, em 2011, eu não passei. Só fui passar no último, em 2012.
Entrevistador: E como foi a sua preparação?
Roberto Ermel: Cara, assim, eu não me considero o cara mais inteligente do mundo, tá? Eu nunca fui bom aluno, eu nunca fui nada, mas uma coisa que eu sou: eu sou muito dedicado. Quando eu decidi, eu sentei oito horas por dia, parei tudo o que eu fazia e estudei oito horas por dia. Já vinha de um concurso em 2011 e eu não passei. E, ao invés de parar de estudar, continuei estudando. E, por surpresa… tem aquela coisa que eu acho que é um pouco de destino: ninguém esperava o concurso, nem eu mesmo, e, de repente, no ano seguinte, mais um concurso… então, me pegou completamente preparado, e isso me ajudou muito.
Entrevistador: É, você não estava esperando que chegasse rápido, não é?
Roberto Ermel: Pois é! Você vê, agora já está quase há 10 anos sem concurso.
Entrevistador: Durante a sua preparação, qual foi o maior desafio que você encontrou?
Roberto Ermel: Cara, o desafio de tirar as coisas ruins da cabeça, os pensamentos ruins. Porque você sempre acha: será que eu não vou passar? Será que eu estou pronto? Então, esse é o maior desafio: não desestimular. Então, você tem que manter o foco, mesmo sem saber… não tinha concurso e, quando aparecer o concurso, você está pronto. Isso eu acho que foi a maior dificuldade.
Entrevistador: A sua formação antes de virar Prático era qual?
Roberto Ermel: Eu sou jornalista, que nem você.
Entrevistador: Ah, legal! E, se você pudesse dar uma dica hoje para quem está pensando em começar a estudar agora e se preparar para se tornar Prático, o que você falaria para essas pessoas?
Roberto Ermel: Primeira coisa, eu falo isso para todo mundo: eu estou aqui graças ao Hércules, cara. Se não fosse o curso do Hércules, eu não estaria aqui! Para mim, primeiro, a pessoa tem que estudar, não é? Só o curso do Hércules não vai resolver o problema. Mas, se estudar e estiver fazendo o curso, sua chance aumenta muito. Particularmente, eu só estudei pela apostila do Hércules — a galera não acredita, não, mas quem estudou comigo sabe que eu só estudei por ela. Eu não lia livros. Eu só lia a apostila.
Entrevistador: E foi o suficiente para você?
Roberto Ermel: Para mim foi, cara. E eu ainda perguntava para o Hercules assim:
– Hercules, eu só estou lendo a sua apostila, hein.
– Ele dizia: não, faz isso, não. Lê os livros também.
– Eu falei: não, eu só estou lendo ela. Enquanto todo mundo lia o livro, perdia tempo no livro, eu lia dez mil vezes o resumo, entendeu?
Então, assim, foi minha salvação, cara.
Entrevistador: Que bom! Tem mais alguma coisa que você gostaria de comentar sobre a sua trajetória e que você acha que seria legal para quem está pensando em virar Prático ouvir?
Roberto Ermel: Cara, acho que é um concurso muito difícil. É um caminho muito difícil de ser seguido. O cara tem que ter muita determinação, porque, para passar num concurso desse, tem que abrir mão de muita coisa na vida. Se você não estiver disposto a abrir mão, a ceder pelo seu sonho, vai ser difícil, entendeu? Então, eu abri mão de tudo e, no finalzinho, um mês antes da prova, meu pai faleceu. Então, eu tive que passar por isso também, entendeu? Então, assim… cara, a coisa que eu mais falo com a galera é disciplina e “sentar o rabo” e estudar. Não adianta: tem que deixar de sair à noite, ir a aniversários etc. Tem que abrir mão… a família tem que estar apoiando, porque é muito difícil, entendeu? Então, já que decidiu, mergulha de cabeça e vai. Essa é a minha maior dica para as pessoas que querem virar Prático, sabe?
Entrevistador: Hoje, como Prático, o que você mais gosta na profissão?
Roberto Ermel: Cara, a profissão, primeiro assim… é a profissão em si. E a outra coisa é a qualidade de vida! A gente tem uma qualidade de vida maravilhosa. Eu gosto de trabalhar em escalas, tem gente que não gosta. Eu fico aqui na escala e, quando estamos na escala, a gente fica vinte e quatro horas. Não é como uma pessoa normal que trabalha, fica oito horas e volta. Eu passo mais tempo em casa, mas, quando eu estou aqui, eu estou full time. Eu adoro essa profissão. Eu me redescobri nessa profissão e amo. Depois, é a qualidade de vida, cara. A qualidade de vida que a gente tem é muito boa. Eu estou em casa vendo meus filhos crescerem, estou praticando esportes. Você tem tempo quando está em casa e ninguém te liga, entendeu? Então, você não fica com aquela preocupação de resolver ou ter que fazer tal coisa… então, fica muito mais fácil. Eu adoro isso. E isso não tem preço.
Entrevistador: É, uma liberdade, não é?
Roberto Ermel: Total. Eu fico em casa sem me preocupar que o telefone vai ligar. Sabe o que é desligar o WhatsApp, desligar tudo e, quando estiver chegando perto da escala, eu ligar tudo e ficar online, entendeu? Dois, três dias antes de entrar em escala, só para ver se vai precisar que eu antecipe alguma coisa… então, cara, é maravilhoso.
Entrevistador: Entendi. Poxa, muito obrigado pela entrevista.
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Uma resposta
Muito bom comentário